Hipertensão, anemia e diabetes são comuns em pacientes com lúpus

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Um levantamento da empresa iHealth Clinical Insights identificou 11.757 pacientes com relato clínico de lúpus, histórico da doença ou investigação em andamento em uma base nacional de aproximadamente 3,1 milhões de pessoas atendidas em 52 instituições de saúde distribuídas por 15 estados brasileiros. O número representa 0,38% dos registros analisados e reforça os desafios do acompanhamento de uma doença autoimune que pode afetar diferentes órgãos e sistemas do organismo.

De acordo com o estudo, o lúpus apresenta predominância entre mulheres, que correspondem a 74,1% dos casos identificados. Os homens representam 25,7% dos registros. A maior concentração de pacientes está na faixa etária de 40 a 59 anos, responsável por 37,2% dos casos, seguida pelos grupos de 60 a 79 anos (27,6%) e de 18 a 39 anos (24,8%).

Entre os sintomas mais frequentemente relatados pelos pacientes, o edema lidera a lista, aparecendo em 42,1% dos casos. Também foram registradas queixas de cefaleia (28,8%), dispneia, ou falta de ar (28,4%), diarreia (23,7%) e hipotensão (22,3%). Outros sintomas identificados incluem prurido, perda de peso e hematúria, caracterizada pela presença de sangue na urina.

Hipertensão e doença renal aparecem entre os principais diagnósticos associados

A análise aponta ainda uma alta incidência de doenças coexistentes entre os pacientes com lúpus. Mais da metade dos registros (52,3%) apresenta hipertensão arterial sistêmica. A anemia aparece em 26,1% dos casos e o diabetes mellitus em 24%.

A doença renal crônica foi identificada em 19,8% dos pacientes, enquanto a nefrite lúpica — complicação diretamente relacionada ao lúpus e que afeta os rins — esteve presente em 10% dos registros.

Outras condições observadas na jornada clínica dos pacientes incluem tabagismo (21,4%), coronariopatia (17,3%), infecção do trato urinário (17,1%), infarto agudo do miocárdio (16,8%), trombose (9%) e acidente vascular cerebral (6,9%).

Tratamentos e procedimentos revelam complexidade do acompanhamento

Os dados também mostram a diversidade de procedimentos realizados durante o acompanhamento dos pacientes. O eletrocardiograma foi o exame mais frequente, presente em 30,8% dos registros. Em seguida aparecem hemodiálise (25,3%), raio-X de tórax (23,4%), biópsia (18,9%) e ultrassonografia (18,4%).

Também foram identificados procedimentos de maior complexidade, como transplantes (15,1%), ecocardiograma transtorácico (15%) e pulsoterapia (12,6%).

Nos exames laboratoriais, os mais citados foram o fator antinuclear (FAN), marcador importante para investigação de doenças autoimunes, presente em 22,4% dos registros, seguido pela velocidade de hemossedimentação (VHS), em 22,1%, e pela urocultura, em 20,4%.

Entre os medicamentos mais mencionados estão prednisona (21,5%), furosemida (16,4%), heparina (15,9%) e hidroxicloroquina (12,4%).

Desafio para o sistema de saúde

Segundo a iHealth Clinical Insights, os resultados indicam que o lúpus exige acompanhamento contínuo e multidisciplinar devido à variedade de manifestações clínicas e à frequente associação com doenças cardiovasculares, renais e hematológicas.

A diretora de Dados da empresa, Karlyse C. Belli, afirma que o uso de dados de mundo real permite compreender melhor a jornada dos pacientes e identificar padrões relevantes para o cuidado. “Quando analisamos uma base de dados de mundo real a nível nacional, conseguimos observar padrões que ajudam a dimensionar não apenas a presença da doença, mas também as condições que ocorrem em paralelo com essa doença, os sintomas mais recorrentes e os procedimentos que aparecem ao longo da jornada dos pacientes. No caso do lúpus, a presença paralela de hipertensão, anemia, diabetes e doença renal crônica mostra a importância de um acompanhamento integrado, capaz de olhar para o paciente de forma ampla e contínua”, destaca.

Especialistas avaliam que o lúpus continua sendo um desafio para o sistema de saúde por causa da diversidade de sintomas, dos períodos alternados entre atividade e remissão da doença e do potencial de comprometimento de diferentes órgãos. Essas características podem dificultar o diagnóstico precoce e atrasar o início do tratamento adequado. Nesse cenário, análises baseadas em dados de pacientes brasileiros podem ajudar a identificar perfis clínicos, mapear fatores associados e orientar estratégias de cuidado mais eficientes.

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