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| Foto: Divulgação |
Em meio à discussão sobre o fim dos contratos de vigilância armada nas escolas e Centros de Educação Infantil (CEIs) de Blumenau, o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Heintje Heerdt, afirmou que a retirada dos vigilantes não deve provocar impacto significativo na atuação da corporação e defendeu as medidas que estão sendo adotadas para reforçar a segurança no ambiente escolar.
As declarações foram feitas em entrevista à Rádio 106 FM, parceira do Portal BNU, nesta quinta-feira, dia 11.
A decisão de encerrar os contratos é de responsabilidade da Prefeitura de Blumenau e ocorreu em um contexto de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) envolvendo a empresa Orcali, prestadora do serviço.
Ao comentar a preocupação de pais e responsáveis, Heerdt afirmou que a importância dos vigilantes armados nas escolas costuma ser superestimada. “Primeiro, assim, eu acho que super se estima-se a questão do vigilante armado”, declarou.
O comandante argumentou que a presença de um vigilante não garante, por si só, a prevenção de ataques ou outras ocorrências graves. Durante a entrevista, ele relatou situações observadas pela própria Polícia Militar em operações realizadas nas escolas. “A equipe que a Orcali forneceu para a prefeitura não era a mais preparada. Então é um mito com relação a isso”, afirmou.
Apesar da avaliação, Heerdt ressaltou que os profissionais da segurança privada auxiliam as forças de segurança em diversas situações.
PM anuncia ronda escolar e monitoramento integrado
Durante a entrevista, o comandante detalhou uma série de ações que, segundo ele, já vinham sendo desenvolvidas pela Polícia Militar antes mesmo do encerramento dos contratos de vigilância.
Uma delas é a criação de uma ronda escolar específica. Conforme Heerdt, a partir de 22 de junho terá início a formação da primeira turma de militares temporários em Blumenau, o que permitirá destinar policiais exclusivamente para o policiamento nas escolas.
Outra medida é a integração do Centro de Operações e Controle (CCO) da Prefeitura com o Centro de Operações Policiais Militares (Copom). Segundo o comandante, o sistema passará a concentrar diretamente na estrutura da PM as imagens de monitoramento das escolas e da chamada muralha digital. De acordo com ele, a mudança reduzirá o tempo de resposta em caso de ocorrências.
O comandante também destacou o uso de câmeras com reconhecimento facial e outras tecnologias de monitoramento, além da ampliação das rondas e visitas realizadas pelas guarnições nas unidades de ensino.
Trabalho começou após ataque ao Cantinho Bom Pastor
Heerdt afirmou que a Polícia Militar passou a dar atenção especial à segurança escolar desde o ataque ao Centro de Educação Infantil Cantinho Bom Pastor, ocorrido em 2023. Segundo ele, uma das iniciativas foi a criação da Rede de Segurança Escolar, aproximando diretores e coordenadores da corporação e melhorando os canais de comunicação para situações de emergência.
Além disso, a PM promoveu capacitações sobre o protocolo FEO (Fugir, Esconder e Lutar), utilizado para orientar a reação de profissionais da educação diante de incidentes graves. O comandante também destacou que os treinamentos realizados pelos policiais militares têm utilizado ambientes escolares como cenário para simulações de intervenção em crises.
“É uma preocupação que a Polícia Militar tem”
Durante a entrevista, Heerdt reconheceu a preocupação de familiares de estudantes, especialmente de pais que vivenciaram diretamente a tragédia do Cantinho Bom Pastor. No entanto, afirmou que a segurança das escolas já vinha sendo tratada como prioridade pela corporação.
“É uma preocupação que a polícia militar tem, antes mesmo de toda essa quebra do contrato”, disse.
Segundo ele, a PM mantém contato frequente com escolas municipais, estaduais e particulares e busca atuar tanto na prevenção de ataques quanto em problemas recorrentes do ambiente escolar, como porte de drogas, porte de armas brancas e casos de importunação envolvendo estudantes.
Para o comandante, o ambiente escolar exige atenção especial por reunir diariamente cerca de 70 mil pessoas entre alunos, professores e demais profissionais da educação em Blumenau.

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